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Marketing para advogados: o que funciona sem ferir o Código de Ética

PorMaykom Pereira
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Normas conferidas
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8 min

O Provimento 205/2021 está em revisão no CFOAB. Este guia será atualizado quando a nova versão for publicada.

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Escritório pequeno de advocacia no fim da tarde, com mesa de madeira, cadeira vazia e uma agenda de couro fechada
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  1. O que é marketing jurídico e ele é permitido?
  2. Quais canais funcionam para o advogado?
  3. Por que o conteúdo informativo é a base do marketing jurídico?
  4. O que o advogado não pode fazer no marketing jurídico?
  5. Como medir o marketing jurídico sem prometer resultado?
  6. Perguntas frequentes
  7. O que sustenta o marketing jurídico no longo prazo?
  8. Fontes e referências

Segundo a TIC Domicílios 2025, do Cetic.br, 81% dos usuários de internet no Brasil usaram redes sociais. O público que procura advogado está nesses canais, e quem advoga sozinho sente a pressão de estar lá também. A dúvida que trava a maioria vem antes do formato: o que separa o marketing permitido da captação vedada? Este guia dá a visão de conjunto e aponta os textos de aprofundamento.

O que é marketing jurídico e ele é permitido?

Marketing jurídico é permitido. O Provimento 205/2021 do Conselho Federal da OAB (CFOAB) autoriza o marketing jurídico no art. 1º, desde que compatível com os preceitos éticos, e o define no art. 2º, I, como a "utilização de estratégias planejadas para alcançar objetivos do exercício da advocacia".

O art. 2º, II, nomeia a modalidade que interessa a quem publica: o marketing de conteúdos jurídicos, estratégia "voltada para informar o público e para a consolidação profissional" do advogado. O limite vem do Código de Ética e Disciplina da OAB (Resolução 02/2015), art. 39: a publicidade tem caráter meramente informativo, com discrição e sobriedade, sem captação de clientela nem mercantilização.

As informações publicadas são de responsabilidade de quem aparece identificado (Provimento 205/2021, art. 1º, § 1º). O CFOAB anunciou a revisão do provimento em "fase final" em 08/12/2025; até 02/10/2026 nenhum texto novo foi publicado, e este guia será atualizado quando a nova versão sair.

Agenda de couro aberta em páginas em branco, com uma caneta-tinteiro apoiada, sobre mesa de madeira clara
O marketing jurídico começa no planejamento, não no anúncio.

Quais canais funcionam para o advogado?

Os canais que funcionam para o advogado são os que permitem publicar conteúdo informativo com regularidade: rede social, site próprio e busca por palavra-chave. O Anexo Único do Provimento 205/2021 admite a presença nas redes sociais desde que o conteúdo respeite o Código de Ética e o próprio provimento.

As redes sociais concentram a audiência. Além dos 81% medidos pela TIC Domicílios 2025, o relatório Digital 2026: Brazil, do DataReportal, estima 147 milhões de pessoas alcançáveis por anúncios no Instagram. O número vem das ferramentas de anúncio da Meta e não equivale a usuários ativos.

O site funciona como endereço próprio, fora do algoritmo de qualquer plataforma. O Anexo Único também permite comprar palavra-chave quando o anúncio responde a uma busca iniciada pelo potencial cliente. Ficam de fora os meios vedados pelo Código de Ética (art. 40), como rádio, televisão, outdoor e mala direta para captação. A ordem de prioridade para quem advoga sozinho está no guia de marketing jurídico digital.

Por que o conteúdo informativo é a base do marketing jurídico?

O conteúdo informativo é a base porque é a forma de marketing que a norma descreve de modo expresso. O Anexo Único do Provimento 205/2021 diz que a criação de conteúdo "deve ser orientada pelo caráter técnico informativo, sem divulgação de resultados concretos obtidos, clientes, valores ou gratuidade".

No marketing de conteúdos jurídicos, o art. 4º do provimento admite publicidade ativa ou passiva e anúncios, pagos ou não, sem mercantilização nem captação. A cartilha do CFOAB admite o impulsionamento em caráter informativo. Os limites do anúncio pago estão no guia propaganda na advocacia.

PráticaMarketing que captaMarketing de conteúdo dentro da norma
Mensagem centralOferece o serviço e a solução rápida.Explica uma regra e quando ela se aplica.
Chamada finalChama para contratar pelo direct.Convida a salvar, comentar ou ler mais.
Uso de casosMostra decisão favorável obtida para cliente.Parte do método e de teses gerais.
ImpulsionamentoAnuncia serviço e condição de pagamento.Promove conteúdo informativo, com sobriedade.
Medida de sucessoContratos fechados por post.Constância, salvamentos e compartilhamentos.
Base: Provimento 205/2021, arts. 3º, 4º e 6º, e cartilha do CFOAB (2024).

A diferença entre as colunas não está no canal nem no formato, e sim no propósito da peça. O mesmo carrossel pode informar ou captar, conforme a chamada final e o uso de casos. Por isso a revisão pela norma pesa mais do que a escolha da rede. O formato está detalhado no guia de carrossel jurídico.

Exemplo ilustrativo

A mesma bio de Instagram, antes e depois da revisão

Antes: "Advogada nº 1 em divórcio na região. Resolvo seu caso rápido. Chame agora!"

Depois: "Advogada de Família e Sucessões · OAB/SC 00.000 · Conteúdo sobre guarda, pensão e partilha · Contato no link"

A primeira usa autoengrandecimento (Provimento 205/2021, art. 3º, IV), sugere resultado (art. 6º) e chama para contratar. A segunda informa área, inscrição e contato, como admite o Código de Ética (art. 44, § 1º).

Óculos de leitura apoiados sobre folhas impressas dobradas, em mesa de madeira com luz suave de janela
Conteúdo informativo é lido como explicação, não como oferta.

O que o advogado não pode fazer no marketing jurídico?

No marketing jurídico, o advogado não pode fazer captação de clientela, prometer resultado nem usar caso concreto para oferecer serviço. Essas vedações do Provimento 205/2021 e do Código de Ética e Disciplina da OAB são as que mais aparecem em post, bio e anúncio.

  • Captação de clientela: induzir à contratação ou estimular o litígio (Provimento 205/2021, art. 2º, VIII, e art. 3º, caput; Código de Ética, art. 7º).
  • Promessa de resultado e caso concreto para oferta de atuação: vedadas em qualquer publicidade (art. 6º, parágrafo único).
  • Menção a decisões e resultados obtidos em processos que o advogado patrocina (art. 4º, § 2º).
  • Honorários, gratuidade ou descontos como forma de captação (art. 3º, I).
  • Expressões persuasivas, de autoengrandecimento ou de comparação (art. 3º, IV).

A lista completa das sete proibições, com o dispositivo de cada uma, está no guia do Provimento 205/2021. Quem terceiriza a produção continua respondendo pelo que publica, ponto de partida para decidir entre agência de marketing jurídico ou ferramenta.

Como medir o marketing jurídico sem prometer resultado?

O marketing jurídico se mede pela constância da publicação e pela resposta do público ao conteúdo, não pelo número de clientes. Os insights do Instagram trazem três métricas centrais: Views, Viewers e Interactions.

Pela Central de Ajuda do Instagram, Views conta quantas vezes o conteúdo foi exibido, Viewers conta as contas únicas que o viram e Interactions reúne ações como curtidas, comentários, salvamentos e compartilhamentos. São estimativas. Medir contratos por post empurra o texto para a chamada de contratação, que a norma veda.

Como começar o marketing jurídico em 6 passos

  1. 1

    Defina área e público.

    Escolha a área de atuação e quem você quer informar.

  2. 2

    Liste perguntas reais.

    Anote dúvidas recorrentes do público, sem dados de ninguém.

  3. 3

    Escolha um canal principal.

    Comece por uma rede social e um site simples.

  4. 4

    Escreva a partir da tese.

    Cada conteúdo explica uma regra, conferida na fonte oficial.

  5. 5

    Revise contra a norma.

    Retire promessa, caso concreto, valor e chamada para contratar.

  6. 6

    Publique com constância e meça.

    Acompanhe Views, Viewers e Interactions todo mês.

O Toga Content é um exemplo de fluxo que organiza os passos 4 e 5 em etapas (ângulo, headline, roteiro do carrossel e legenda) e sinaliza o risco OAB de cada conteúdo como alerta para revisão. A decisão continua com o advogado.

Caderno quadriculado com uma linha suave desenhada a lápis, sem números, ao lado de um lápis apontado
Acompanhar a constância, sem prometer números.

Perguntas frequentes

Posso tomar processo ético por causa de um post?

Pode, se o post violar o Código de Ética e Disciplina ou o Provimento 205/2021, e quem julga é o Tribunal de Ética e Disciplina da seccional. O próprio Código de Ética (art. 71, II) atribui ao TED a tarefa de responder consultas em tese. Na dúvida sobre um conteúdo específico, a consulta prévia é o caminho mais seguro.

Quanto tempo por semana o marketing jurídico exige?

Não há número oficial, e o tempo depende do formato e do canal. Para quem advoga sozinho, constância vale mais do que volume: um conteúdo informativo por semana, bem revisado, tende a sustentar a presença com mais consistência do que uma sequência intensa seguida de meses de silêncio. Reserve um bloco fixo na agenda para escrever e revisar.

Não vai ficar igual ao post de todo mundo?

Fica igual quando o conteúdo parte de tema genérico. A diferença vem da tese do advogado, do vocabulário do subnicho e das dúvidas reais do público que ele atende. Dois advogados de Família podem explicar a mesma regra de guarda com ângulos distintos, porque cada um parte da própria experiência e do próprio método.

O que sustenta o marketing jurídico no longo prazo?

Marketing para advogados funciona quando parte do que o advogado já sabe fazer: explicar o direito com precisão. A norma não pede silêncio nas redes; pede informação no lugar da oferta. Quem publica com constância, revisa cada conteúdo contra o Provimento 205/2021 e mede a resposta do público constrói presença profissional sem depender de promessa, e continua autor do que assina.

Fontes e referências

  1. Conselho Federal da OAB (CFOAB). Provimento nº 205/2021: dispõe sobre a publicidade e a informação da advocacia, 2021. https://www.oab.org.br/leisnormas/legislacao/provimentos/205-2021
  2. Conselho Federal da OAB (CFOAB). Código de Ética e Disciplina da OAB (Resolução nº 02/2015) (PDF), 2015. https://www.oab.org.br/arquivos/resolucao-n-022015-ced-2030601765.pdf
  3. Comitê Regulador do Marketing Jurídico do CFOAB. Principais dúvidas sobre publicidade na advocacia: entendendo o Provimento 205/2021 (PDF), 2024. https://marketingjuridico.oab.org.br/doc/cfoab--cartilha-digital-publicidade-advocacia.pdf
  4. Conselho Federal da OAB (CFOAB). Atualização do Provimento do Marketing Jurídico entra na fase final após encontro com presidentes dos TEDs, 2025. https://www.oab.org.br/noticia/63703/atualizacao-do-provimento-do-marketing-juridico-entra-na-fase-final-apos-encontro-com-presidentes-dos-teds
  5. Cetic.br / CGI.br. TIC Domicílios 2025: principais resultados (PDF), 2025. https://cetic.br/media/analises/tic_domicilios_2025_principais_resultados.pdf
  6. Instagram (Meta). About Instagram insights, Central de Ajuda (em inglês), consultado em 2026. https://help.instagram.com/788388387972460
  7. DataReportal / Kepios. Digital 2026: Brazil (em inglês), 2025. https://datareportal.com/reports/digital-2026-brazil

Maykom Pereira

Estrategista de marketing e growth

Maykom Pereira trabalha com marketing digital há mais de dez anos, com foco em growth, inteligência artificial aplicada, automação e SEO/GEO. Atende legal techs, startups e organizações na construção de presença digital. Escreve no blog do Toga Content sobre método de conteúdo. Não é advogado: as referências normativas dos textos dele seguem as fontes oficiais citadas.

mpereira.siteLinkedIn

Este artigo foi produzido com apoio de inteligência artificial e revisado por pessoas antes da publicação. As normas citadas foram conferidas nas fontes oficiais na data indicada. O conteúdo tem caráter informativo e não substitui consulta à seccional da OAB ou a um profissional.

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